Será celebrado, mundialmente, no dia 22 de março de 2015, mais um dia da água. Esse ano, devido a prolongada variação climática ocorrida em diversas regiões do país há um alarde maior. Como nos anos anteriores, ambientalistas seguem criando diversas campanhas de conscientização que dão carona a uma série discussões, discursos e promessas.


Os temas preferidos tendem a se concentrar nos debates sobre volume disponível, crescimento do consumo, escassez de demanda, percentual de valorização comercial do produto e abordagens genéricas de preservação da natureza. Mesmo após tais debates, observa-se ao longo de décadas que os esforços dos nossos governantes têm sido insuficientes para proteger os direitos constitucionais da união, proprietária do subsolo.


O empenho na criação, aperfeiçoamento e fiscalização dos mecanismos legais de proteção do solo é inócuo. Logo, as ações visam predominantemente aumentar a arrecadação dos tributos com a indústria extrativa e a exploração comercial desse bem.


Um dos indicativos disto, é o contínuo aumento do nível de nitrato na água subterrânea das áreas urbanas e rurais em diversas cidades brasileiras, tornando-a imprópria para consumo. Dessa forma, não se vê políticas robustas e eficazes sendo aplicadas na sua contenção.


Animais, vegetais e lixo em decomposição, esgotos, criação intensiva de animais, adubos, agrotóxicos, pesticidas, poços artesianos abandonados e combustíveis, são os grandes vilões da contaminação por nitrato da água subterrânea. A primariedade com que esse assunto é tratado, também se reflete na água mineral.  A partir disto, pode-se observar a maioria das marcas de produtores nacionais fazendo a “dança das gôndolas” nas redes de comércio atacadista do produto.

 

Ao que parece, a causa disso está ligada à estratégia de competitividade, alicerçada em políticas de curto prazo, busca de lucro imediato e limitação à prática esportiva de saltos exorbitantes nos lucros, resultante da maior demanda no verão.


Há muito a se fazer para aumentar a competitividade e o valor intangível de muitas marcas de fontes brasileiras acostumadas a um padrão conservador e de concorrência predatória. Nesse cenário, os gigantes multinacionais do ramo, nadam de braçadas na água mineral, faturando alto e se aproveitam da falta competitividade para adquirir ou arrendar fontes e propriedades dos brasileiros a preços simbólicos, reprisando as compras das indústrias, nos tempos iniciais da globalização da economia no país.

 


JACIR PINTO DE ARAÚJO, Consultor especializado em água mineral e GIOVANNA MONTEIRO, Estudante de jornalismo.